Não é quanto ganha. É como gere.

A ideia de que “quem ganha mais vive melhor” acompanha muitos de nós durante anos. Mas a realidade é outra: a verdadeira diferença está na forma como o dinheiro é gerido. Neste artigo apresento a mensagem central do livro Poupar, Investir e Gastar: criar um sistema financeiro simples, realista e adaptado às famílias portuguesas. Falamos sobre a importância de poupar antes de gastar, investir com consistência e gastar com intenção — três pilares que transformam não apenas as contas, mas a qualidade de vida. Se sente que trabalha muito, ganha razoavelmente, mas o dinheiro nunca parece chegar, este é um excelente ponto de partida para recuperar controlo e tranquilidade financeira.

Sérgio Paulo Candeias

1/16/20262 min read

Não é quanto ganha. É como gere.

Durante muito tempo acreditei que as finanças pessoais eram, acima de tudo, uma questão de rendimento. Que quem ganhava mais vivia melhor, com menos stress e mais segurança. A experiência — e a leitura certa no momento certo — mostraram-me que essa ideia está profundamente errada.

Uma das frases que mais me marcou ao longo do meu percurso profissional e pessoal foi esta: não é quanto se ganha, é como se gere o que se ganha. É precisamente essa mensagem que pretendemos passar com o nosso livro, a quem quer, finalmente, pôr ordem nas suas finanças.

O livro tem o mérito raro de tornar simples aquilo que muita gente insiste em complicar.

A ilusão do rendimento

Ao longo da minha carreira tive contacto com realidades financeiras muito diferentes. Pessoas a ganhar 70.000€ por ano completamente sufocadas. Outras, com rendimentos muito inferiores, a viver com tranquilidade e clareza.

A diferença não estava no salário.

Estava no sistema.

E é aqui que o nosso livro Poupar, Investir e Gastar se destaca: não vende fórmulas mágicas nem promete riqueza rápida. Ensina, de forma prática, que o dinheiro precisa de regras claras para servir a nossa vida — e não o contrário.

Poupar: a base da paz de espírito

Uma das ideias centrais — e mais negligenciada — é a importância de poupar antes de gastar. Não o que sobra. Antes.

Ter uma reserva financeira muda tudo:

a forma como lidamos com imprevistos,

as decisões profissionais que aceitamos,

o nível de ansiedade com que vivemos o dia-a-dia.

Quando existe uma almofada financeira, um problema continua a ser um problema — mas deixa de ser uma crise.

O livro explica isto de forma muito concreta: poupar não é abdicar da vida, é comprar tranquilidade futura.

Investir: deixar o tempo trabalhar por nós

Outra grande lição — e talvez a mais transformadora — é perceber que investir não é apenas para especialistas nem para quem tem muito dinheiro.

O verdadeiro motor da criação de riqueza não é o valor inicial.

É o tempo.

Quanto mais cedo se começa, mais o dinheiro trabalha sozinho. Os juros compostos fazem o que nenhum esforço humano consegue replicar: crescimento consistente ao longo dos anos.

Aqui, Poupar, Investir e Gastar é particularmente pedagógico ao mostrar que:

investir pode (e deve) ser simples,

a consistência é mais importante do que tentar prever mercados,

e que a falta de conhecimento custa muito mais do que o risco de investir.

Gastar: com intenção, não por impulso

Talvez a parte mais libertadora do livro seja esta: gastar não é errado. Errado é gastar sem intenção.

O dinheiro serve para viver — não apenas para acumular. Mas quando não existem limites claros, o gasto transforma-se facilmente em hábito, compensação emocional ou comparação social.

Quando há um plano:

o prazer deixa de vir com culpa,

as escolhas tornam-se conscientes,

e o dinheiro passa a alinhar-se com aquilo que realmente valorizamos.

Porque este nosso livro.

Recomendo Poupar, Investir e Gastar porque é profundamente realista.

Porque fala para famílias portuguesas, com rendimentos portugueses, num contexto português.

E porque ensina algo essencial que raramente nos explicam: educação financeira é uma competência de vida.

Não é sobre ficar rico.

É sobre viver melhor.

Se sente que trabalha muito, ganha razoavelmente, mas o dinheiro parece nunca chegar — este livro é um excelente ponto de partida.

No fim, voltamos sempre à mesma verdade simples: não é quanto ganha. É como gere.